sábado, 18 de junho de 2011
Chegamos ao Fim?
sexta-feira, 17 de junho de 2011
caminho alternativo
Desde o primeiro dia de aula quis dividir com vcs uns trechos do livro On the road do Jack Kerouac. Porque, muitas vezes, abordamos nas nossas discussões a questão de o caminho que escolhemos seguir ser uma escolha predeterminada pelos dispositivos do capitalismo, o que inclui o desejo da família, status, nossa própria vontade de seguir o rebanho ou não. E, por diversas vezes, quando falávamos de uma escolha alternativa, eu tinha a impressão que essa idéia já tinha sido englobada pela nossa sociedade de consumo.
Para mim, ir de fato contra alguns valores compartilhados pela atual sociedade, ainda que questionáveis, nem sempre é possível ou desejável. Ora por não prescindir da aceitação dos outros, ora por encontrar esses valores no meu "âmago" (profissão, casa, marido e filhos), ora por não ter coragem, por não ter esperaças. Voltando ao livro, como disse em sala, eu não consegui ler mais que a metade, porque não me identificava com aquela falta de ideal, de rumo, de compromisso dos personagens. Mas alguns amigos alouqueceram com o livro, que por sinal é um marco da geração Beat (último grito de oposição do status quo segundo Heloisa Buarque de Holanda).
" Eu estava curtindo uma temporada exuberante e o mundo inteiro abria-se na minha frente porque eu não tinha sonhos."
" Veja só, cara, a gente envelhece e os problemas se acumulam. Um dia você e eu acabaremos percorrendo becos, ao pôr-do-sol, revirando latas de lixo.
Você quer dizer que acabaremos como velhos vagabundos?
Por que não, bicho? Claro que sim, se quisermos. Não há problema algum em acabar dessa maneira. Basta você passar toda uma vida de não-interferência nos desejos dos outros, incluindo políticos e ricos, sem se envolver jamais com esses anseios angustiados, aprimorando sua ação pelo não fazer, que então ninguém te incomoda e você segue em frente, livre, leve e solto_ para fazer o que quiser."
Eu acho essa visão muito forte. Assim como cada vez que passo por um mendigo tenho vontade de salvá-lo. Se pudesse lhe daria aquilo mesmo que sonho para mim, profissão, casa, família e banho (esse último eu já tenho). Mas nem sempre ele está nessa condição por falta de escolha. Talvez seja possível a não-interferência dos desejos dos outros, mas talvez o preço seja o isolamento. Com isso, quero dizer que acredito ser de enorme valor rever tantas coisas que naturalizamos, mas tem um limite: vivemos em sociedade e dependemos dos outros. Até onde? Enfim, será que não vão ler meu único post porque ele é muito grande?
Carla Pessanha
quinta-feira, 16 de junho de 2011
aquela poesia com a 1ª letra do nome...

Pra vocês, grupo que findará na próxima semana...
Achado!
Acredito Assim.
Aceitar, amargar, ansiar, afetar, aimentar!
Arranjar anônima aspiração.
Avaliar atos, atingir atitudes.
Angustiada, alimento alucinações auditíveis - amarradas aos aliados.
Aglutinar amáveis alegres adiciona antiga atitude a ações antes alienadas...
Agora avisto alguma astúcia antes algemada a antigas ações acatadas!
Amém!
Ana Marcela
Psicologia, sua linda!
Depois de me enrolar com embriologia, estatística, práticas que eu mal lembro o nome... A psicologia revelou para mim quem ela realmente é! Diferente do que eu achava, a psicologia veio para me confundir ainda mais, para me mostrar que as pessoas são muuuito mais complexas "do que o esperado" e que nenhuma faculdade vai te ensinar a ser ótima com elas. A safada da psicologia me mostrou também que não existem métodos perfeitos e aplicáveis a todos, diferentemente do que muitos amigos e parentes me disseram quando entrei pro curso (quem não ouviu "aee! vai poder cuidar da família toda agora!" ?!).
A verdade é que depois da psicologia eu nunca mais vou ser como eu era antes do curso (ignorante no meu mundinho lilás! rs). Eu nunca mais vou conseguir me alienar, fingir que não sou afetada todos os dias por várias pessoas. A psicologia me fez ter um olhar diferente das pessoas ao meu redor, me fez ser mais cautelosa com as coisas que falo e ter mais cuidado com os meus. Pode ter sido coisas que vieram com a idade, não com a faculdade, mas tenho dúvidas se viriam se o curso fosse de paisagismo ou economia doméstica por exemplo (NADA CONTRA!).
E é por isso que eu só tenho que agradecer a essa danada da psicologia, que me deixa sempre mais confusa, me fazendo questionar coisas que antes eram tão naturalizadas. Agradecer por esse espírito inquieto, desafiador e muitas vezes opositor!! E não me venham com ritalina!!! Eu quero mesmo é contaminar o máximo de pessoas que eu puder para que a idéia de Orientação do Vocacional perca sempre espaço para a Análise do Vocacional, joguinho de palavras tão sutil mas que faz tanta diferença!!
Shanti Rodrigues - no auge de suas desconstruções.
sábado, 11 de junho de 2011
Um pouco de Brecht e política
Dois poemas de Bertold Brecht, pra refletir!
I
Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de
estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não
recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?
É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)
Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a
quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.
Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para
viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!
O Analfabeto Político
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia
a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
(Ana Marcela Terra)
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Educação, Profissão e Confusão
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Ser ou não ser, eis a profissão...
A discussão de ontem e o texto do Papalagui foram essenciais para mim como forma de sintetizar vários aspectos do trabalho que viemos desenvolvendo no grupo. O Tuiávii estranha o papalagui, olha, com olhos de homem que é, uma outra forma de ser humano, a forma do papalagui, do ocidental, a nossa forma de ser no mundo.
Ao nos observar, Tuávii percebe que a profissão é um aspecto muito importante de nossas vidas, central e paradoxal. Nós podemos dizer aqui que é uma forte forma de subjetivação a que estamos submetidos. Ao nos olhar, porém, ele o faz de um lugar de fora e pode dizer o que significa a profissão em nossas vidas e na nossa sociedade sem possuir as raízes históricas que nos atravessam dando-nos uma falsa impressão de naturalidade para esse fenômeno.
Ele fala do imperativo de se ter uma profissão, afirmando que somente ela seria capaz de lhe conferir o direito de ter uma atividade no mundo. Em que medida nós estamos presos a isso? Será que nós também não acreditamos e agimos como se somente nos fosse dado o direito de agir no mundo de acordo com nossas profissões? Será que não contestamos aquele que se atreve a plantar sem ser jardineiro ou outro que ousa cantar sem ser músico profissional, alegando que tudo isso seria perda de tempo, que eles deveriam mesmo era fazer todos os dias e praticar exaustivamente suas profissões, e somente elas? Será que nós não estamos nos reduzindo e reduzindo o outro a uma profissão? E, se isso for realmente verdade, já pararam pra pensar quanto vida estamos aniquilando a cada dia? Preciso pensar mais nisso...
Paula Rubea.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Quanto a proposta de termos uma aula para pensarmos sobre a escolha que teremos de fazer para ingressarmos no mercado de trablaho como psicólogos
Em primeiro lulgar peço desculpas sobre a falta de conhecimento de como manusear o blog que me impediram de responder comentando as colocações que fizeram sobre minha proposta. Então vou tentar responder com uma nova postagem.
Quando me referi a usar as técnicas de análise do vocacional, apenas pensei que poderíamos tirar do centro de nosso grupo de análise, a própria temática análise do vocacional ou aquela proposta pelo professor para aquele dia de aula e nos colocarmos no centro.
Nos colocarmos no centro do grupo para analisar a demanda de escolha que nos é necessário ao concluirmos a formação em psicologia. Ou melhor, pensar sobre a escolha que teremos de fazer acerca do ramo de atuação, quanto psicólogo, que exerceremos no mercado de trabalho assim que sairmo da graduação.
É somente isto.
Luciana Pucci Santos
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Siddhartha
"E com isso te comunico uma doutrina que te fará rir, ó Govinda: tenho para mim que o amor é o que há de mais importante no mundo. Analisar o mundo, explicá-lo, menosprezá-lo, talvez caiba aos grandes pensadores. Mas a mim interessa exclusivamente que eu seja capaz de amar o mundo (...) O gesto da tua mão me importa mais do que as suas opiniões. Não é nos seus discursos e nas suas idéias que se me depara a sua grandeza, senão unicamente nos seus atos e na sua vida".
muito boa noite!
Debora Navarro
conservação a qualquer custo??
Nesse ponto eu perguntei a ela: mas me diz, que emprego que vai me fazer tirar a roupa para provar que eu não tenho tatuagem ou coisa assim?
E ela disse: As forças armadas! Olha só, um CONCURSO PÚBLICO que você não pode mais fazer por uma burrice dessas!!!
...eu respondi: Mãe, já parou para pensar que talvez eu não queira trabalhar pras forças armadas??!!
Engraçado o esforço niilista pela conservação que vem como primeiro "impulso" frente a uma situação de risco. Esse elemento "concurso público" parece ter sido fisgado meio do nada, da gama de planos B que ficam boiando na mente dos nossos pais (e muitas vezes nas nossas) a fim de garantir a sobrevivência do filho (ou nossa) a qualquer custo.
Tudo bem, talvez fosse interessante ser psicóloga de uma instituição peculiar dessas, mas me submeter ao regime militar?? Acho que prefiro minha tattoo! Outras coisas são tão interessantes quanto. E quem disse que concurso público por si só é algo que irá me satisfazer? Só porque implica estabilidade financeira? Talvez eu prefire me mudar para um trailer e fazer psicologia pelo mundo afora, vivendo pela troca, os pacientes pagando o que puderem por aquela sessão dentro do trailer ou nas praças do mundo. Isso me parece muito mais instigante e vivo do que saber que meu pagamento está hibernando lá na minha conta corrente para sempre.
Talvez essa imagem pareça um sonho distante e juvenil, mas se investido tempo, dinheiro e paixão nisso, quem sabe não dá certo? Pode ser uma escolha da escolha, alternativa à psicologia sedentária que conhecemos (tanto clínica quanto institucional). O importante é tentar, certo? Ou melhor: o que importa é afirmar a vida. E se começa definindo o que é vida para nós...
Debora Navarro
