quinta-feira, 8 de julho de 2010
O Blog
Não sei se essa era, desde o início do período, a intenção do professor Pedro Paulo, ou se o curso de um período agitado por enchentes, copa do mundo e feriados o levaram à essa escolha. Sim, porque se deixar levar pelos acontecimentos, também é uma escolha. Digo isso, por lembrar-me da discussão que tivemos em sala de aula sobre os critérios que escolhíamos para nos inscrever nas disciplinas. Muitos relataram se levar pelas circunstâncias atuais da formação em psicologia na UFRJ, no sentido de aderir aos horários, muitas vezes cheio de lacunas, propostos pelo IP; e entender que isso também é uma escolha foi algo muito questionado e problematizado durante a discussão.
Outra questão que o blog ilustra é o estranhamento do novo, do diferente com a quebra das “regras invisíveis” levantadas e analisadas durante a aula do vídeo sobre os Sem Terras que visitaram o Rio Sul.
Qual é a “regra invisível” que determina que prova e ou trabalho são as únicas formas de se avaliar o aprendizado dos alunos?
A institucionalização de uma ferramenta de avaliação ou naturalização de algo quando desnaturalizado gera estranhamento.
Acredito que a nossa cara de espanto no último de aula quando foi anunciado que o blog seria a única forma de avaliação, deva ser a mesma cara de estranheza dos candidatos à Análise do Vocacional ao receber a informação que o valor do pagamento da análise será atribuído por eles.
Numa sociedade materialista e consumista em que o normal é que tudo tenha preço determinado, poder estabelecer o valor, o preço que queremos pagar quebra as regras instituídas, e o estranhamento é algo natural. O que não pode ser natural é que nós, enquanto futuros psicólogos, achemos natural ter só um caminho para as coisas, principalmente, os cominhos institucionalizados. Para o bem de nossa profissão, devemos sempre abrir o leque das possibilidades, não só para nossos clientes/pacientes, como para nós mesmos; e isso foi a principal coisa que eu aprendi com essa disciplina e o blog corroborou para isso.
Laura Sabino.
Extensão Universitária, “CONSTRUINDO UM PROCESSO DE ESCOLHA MESMO QUANDO ‘ESCOLHER’ NÃO É UM VERBO DISPONÍVEL” e Equipe
1- Penso que a Análise do Vocacional não funciona no modelo fechado de disciplina, preso numa grade curricular. A sua constituição é atravessada pela extensão universitária, é necessário o diálogo com o campo, com a realidade das escolhas que se constituem no dia a dia.
2- A partir do título do projeto e das discussões da disciplina, começei a me questionar que é possível que uma das dificuldades apresentadas no semestre no que tange a absorção do conteúdo possa ser além da não apropriação conceitual, uma vivência prática, do que seria construir um processo de escolhas mesmo quando ‘escolher’ não seja um verbo disponível.
3- O que caracteriza a potência de qualquer articulação, do tecer de uma rede é a constituição de uma equipe, que dialoga, critica e constrói algo junto na perspectiva de se estabelecer um grupo. Com todas as diferenças que se possa ter dentro deste locus. Quando li que em nosso primeiro resumo não nos chamávamos formalmente de autores, mas de equipe, refleti que talvez não tenhamos construído desde o início da disciplina esta identidade de grupo. E isto ajudou a potencializar a percepção de que tínhamos em sala dois lados diferentes.
O que fica pra mim é a necessidade urgente de pensarmos mais articulações que produzam rupturas em nossas formações. Precisamos rapidamente de coisas novas que nos façam estar em crise para podermos dialogar com o novo e até mesmo reafirmar o que acreditamos.
Abaixo o primeiro resumo que a EQUIPE do projeto de pesquisa e EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA ‘CONSTRUINDO UM PROCESSO DE ESCOLHA MESMO QUANDO ‘ESCOLHER’ NÃO É UM VERBO DISPONÍVEL’ produziu em meados de 2006:
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA:
“CONSTRUINDO UM PROCESSO DE ESCOLHA MESMO QUANDO ‘ESCOLHER’ NÃO É UM VERBO DISPONÍVEL”
Equipe:
Pedro Paulo Gastalho de Bicalho (orientador)
Alice Paiva Souto
Cleriston Philip Buriche Bartalini
Raquel de Mello Oliveira
Claudete F. de Souza
Richarlls Martins
Mayra Lameirão
Daniele Muniz de Lima
Considerando que um dos grandes desafios enfrentados pelas universidades brasileiras são as desigualdades étnicas, econômicas e regionais, acredita-se que, embora não seja uma obrigação da universidade organizar cursos de pré-vestibular, cabe a ela enfrentar essas desigualdades - historicamente construídas -, chamando a atenção para políticas públicas passíveis de implementação. Deste modo surgem, no ano de 2005, os cursos de pré-vestibular comunitários do Caju e de Nova Iguaçu, a partir de parcerias entre prefeituras municipais, órgãos de fomento a pesquisa e a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O curso de Psicologia insere-se neste projeto, em 2006, com a proposta de um modo de intervenção coletivo que possibilite a criação de um campo de problematização das questões que atravessam a escolha profissional na atualidade, construindo dispositivos comprometidos com a afirmação da potência da vida. Habitualmente intervir como psicólogo pressupõe analisar um território individual, interiorizado ou, no máximo, circunscrito a relações interpessoais, transferindo as produções políticas, sociais e econômicas ao campo de estudos de um ‘outro especialista’. Tentar percorrer outros caminhos e recusar esse destino, lançando mão de uma ‘caixa de ferramentas’ teórico-conceitual é o desafio, recusando o lugar de ‘ortopedista social’, com seus saberes prontos em planejamentos metodológicos assépticos e de enfoque positivista.
Abraços em todos
Richarlls Martins (Não consigo nem imaginar como teria sido a minha vida se no final de março de 2006, num domingo a tarde, não tivesse recebido uma ligação comunicando que havia sido selecionado para construir esta equipe. Muito obrigado PP! Com carinho este agradecimento público)
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Escolhas e Relações Amorosas
Tanto se fala aqui sobre nossas escolhas, mas sempre voltada para a questão profissional, o que não deixa de ser um fato óbvio, já que a disciplina a qual estamos nos referindo é Análise do Vocacional. Contudo, como muito se foi falado em sala de aula, tanto pelo professor Pedro Paulo, quanto por seus monitores ou integrantes do grupo de análise do vocacional, ao falar de escolha profissional, estamos falando de escolhas, em geral. A escolha da profissão é apenas uma das diversas escolhas que fazemos em nossa vida. E como uma escolha, ela possui critérios que podem não ser diferentes ou ser semelhantes a outras variadas escolhas que fazemos ao longo de nossas vidas, até mesmo se seus temas forem distintos.
Portanto, pensando nessa questão de escolhas de uma maneira ampla, o que falar de nossas escolhas amorosas? A escolha amorosa está sempre nos permeando e é de interesse de todos. Quem nunca passou por uma escolha amorosa? A escolha amorosa também é atravessada por critérios, ou todos escolhemos nossos pares aleatoriamente? Acredito que até mesmo escolher um par aleatoriamente é uma questão de escolha. A aleatoriedade passa a ser um critério. Que critério você usa para escolher par? Será a beleza, a inteligência, a cultura, a conversa, o poder econômico, o status? Os critérios podem ser os mais variados possíveis. Há quem diga que só gosta de moreno(a)s, ou não, “só me interesso por loiro(a)s”, há quem diga que prefere uma pessoa feia “com conteúdo” do que uma linda “sem nada a acrescentar” ou aquelas que não resistem a um rostinho bonito ou a um corpo escultural.
É evidente que usamos algum tipo de critério ao fazermos uma escolha amorosa, mas será que temos consciência do critério que usamos? Talvez muita gente nunca tenha parado para pensar nisso, mas, certamente, essa disciplina nos provoca a pensar não somente em nossas escolhas profissionais, mas em todas as nossas escolhas. O que me faz escolher um namorado, um ficante, um affair? Será que meu critério usado numa escolha assim pode me ajudar a entender a minha escolha profissional? E será que eu sei como escolho a roupa que vou usar em cada dia ou situação? Essa simples pergunta, por incrível que pareça, fez muita gente começar a se questionar em sala de aula, foi perceptível. Houve quem disse que ia voltar pra casa pensando nisso: que critérios eu uso para escolher a minha roupa?
Logo, a escolha é um campo enorme, que não se resume a escolha profissional. Estamos a todo momento escolhendo, e, analisando não somente os atravassamentos de nossa escolha profissional, mas de nossas escolhas em geral, podemos ter respostas muito mais interessantes e “lucrativas”. E acho que é isso que é feito e proposto por essa disciplina e pelo grupo de análise do vocacional. Portanto, entender isso, já me foi válido demais.
A difícil tarefa de escolher
Por um minuto, fico frustrada. Acredito que depois de tantas explanações sobre o processo de escolha e ao final do curso, era minimamente esperado que eu estivesse sabendo escolher “melhor”. Digo, mais rapidamente, mais facilmente. E então, me pego pensando que a Análise Vocacional vai além, muito além disso.
No início dos encontros, vimos que “a Orientação Profissional nasceu como uma prática cujos objetivos estavam diretamente ligados ao aumento da eficiência industrial”. Na intenção de evitar acidentes, era necessário detectar trabalhadores inaptos para determinadas tarefas. Durante quase todo o século 20, a Orientação Vocacional permanece com o objetivo de encontrar ou desvelar a vocação/aptidão das pessoas para tarefas, funções, profissões. Embora os métodos utilizados tenham se modificado com o passar do tempo de acordo com as diferentes linhas de pesquisa. Por muito tempo a Orientação Vocacional ficou atrelada a utilização de testes psicométricos.
Com base na Orientação Vocacional surge a Análise Vocacional. Diferentemente da primeira que tem por objetivo a indicação de aptidões, profissões, ou tarefas, a AV vai problematizar o modelo de orientação vocacional tradicional, a utilização dos testes psicológicos, e a existência de “vocação”. A escolha de uma profissão passa ser apenas um dispositivo usado para se pensar todo o processos de escolher. E se falamos de escolha, estamos falando também de conflito, risco, insegurança, angústia, medo.
Sendo assim a minha frustração inicial, desaparece. Escolher o que escrever num trabalho ou numa prova, ou apenas escolher é a arriscar-se. E diferente de uma aposta que implica em acerto ou erro, escolher é sempre perder. Qualquer escolha, nos faz abrir mão (ainda que momentaneamente) de uma ou de várias outras opções.
FROTTÉ, M. D. Analítica do vocacional: percursos e derivas de uma intervenção. 2001. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, Niterói.
Natalia da Conceição Rodrigues
Escolha profissional, avaliação e outros detalhes mais.
Com relação a escolha profissional, devemos ter atenção para alguns pontos. Realizar um trabalho que não pretenda dar conta desta escolha pelo sujeito, ou seja, não acreditar na ideia de que estaremos habilitados ao fim do processo a falar qual carreira o sujeito deve seguir é o primeiro deles. Em opção a uma linha de trabalho que lançaria mão de alguns testes e entrevistas para ao final dizer em que carreira o sujeito se encaixa melhor, aparece então a Análise do Vocacional. Mas o que permite uma tomada de posição tão diferente por parte desta abordagem que não pretende desvelar uma verdade acerca do sujeito? Poderíamos aqui, chamar a atenção para inúmeros pontos que permitem esta abordagem, como uma concepção diferenciada do que é a psicologia e como ela deve ser usada. No entanto, citarei algo muito mais simples e sutil que é o fato da análise do vocacional não se preocupar em responder a demanda inicial, por entender que este não é o objetivo do trabalho. Isto retira um peso das costas dos facilitadores, permitindo assim que estes se concentrem em discutir e cartografar os processos que cada participante do grupo engendra ao fazer suas escolhas, sendo este sim o propósito de todo o processo, que vai culminar na feitura de um laudo. A meu ver, o laudo possui como objetivo, fazer com que o participante enxergue o processo que percorreu e possa tirar algo dele. É interessante notar também que a metodologia de trabalho facilita o surgimento de outras discussões fora da escolha profissional, o que muitas vezes permite que o participante do grupo vislumbre o que de fato se coloca como questão para ele, esquecendo dessa maneira a demanda inicial com a qual chegou ao grupo. Lembrando o texto “Pequeno Manual de Análise Institucional”, valorizar a crise como um momento potente, através do qual o sujeito tem a possibilidade de criar uma saída criativa para a angústia que o aflige é uma boa definição para o objetivo do trabalho. Entretanto, não podemos a priori dizer que este objetivo será alcançado, nem este, nem qualquer outro, visto que cada participante é responsável por dar sentido a sua participação no grupo e ao seu laudo, não esquecendo que através da entrevista devolutiva discutimos o laudo com cada participante.
Gostaria também de falar um pouco sobre esta ferramenta de discussão que foi também utilizada como forma de avaliação dos alunos. Na verdade, refletir sobre os motivos que geraram tanto alarde e questionamentos por parte da turma. Por que reagimos de forma tão avessa quando somos avaliados de outra maneira, que não aquelas as quais já estamos acostumados? Acredito que esta reflexão seja importante para (re) pensarmos o paradigma sob o qual estamos acostumados a trabalhar no Instituto de Psicologia. Me parece que fomos todos tão bem “adestrados” em nosso instituto, que ao simples sinal de novidade corremos para restabelecer a ordem. Esta claro que este método de avaliação carrega em si uma outra concepção sobre o que significa avaliar e sobre o que significa ser aluno. É aí que devemos nos perguntar se o modo de avaliação não se adéqua ou se nós não estamos preparados para ele. Além disso, entendo que a liberdade possibilitada por esta ferramenta também incomode, lembrando Sartre, ser livre se coloca com um dos maiores causadores da angústia humana. Dentro desta perspectiva é muito mais fácil sermos guiados por uma prova, que de certa maneira, vai dizer exatamente o que devemos fazer.
Compartilho aqui duas frases que utilizamos nos grupos para reflexão e discussão.
"Porque tenho sido tudo, e creio que minha verdadeira vocação é procurar o que valha a pena ser." (Monteiro Lobato)
Realmente, se um dia de fato se descobrisse uma fórmula para todos os nossos desejos e caprichos - isto é, uma explicação do que é que eles dependem, por que leis se regem, como se desenvolvem, a que é que eles ambicionam num caso e noutro e por aí fora, isto é uma fórmula matemática exata - então, muito provavelmente, o homem deixaria imediatamente de sentir desejo.
Pois quem aceitaria escolher por regras? Além disso, o ser humano seria imediatamente transformado numa peça de um órgão ou algo do gênero; o que é um homem sem desejos, sem liberdade de desejo e de escolha, senão uma peça num órgão?
Fiodor Dostoievski, in "Cadernos do Subterrâneo"
João Cristofaro
Sobre Análise do Vocacional, Psicologia e Educação
(Trabalho apresentado no congresso ABRAPSO, 2009)
Porque (re)pensar a psicologia e a educação?
No contemporâneo ainda se faz presente uma concepção de educação calcada em práticas verticalizadas, nas quais o conhecimento é acabado e rígido. O professor, detentor de saber, transmite o conhecimento ao aluno. A este cabe somente recebê-lo. Paralelamente, há uma concepção cristalizada do fazer psicológico - desvelar sujeitos a partir de um saber especializado. Essa posição do psicólogo se reproduz, ainda hoje, no contexto escolar, na medida em que este dirige um olhar clínico às demandas da escola, em busca da esterilização de conflitos e crises que constituem este ambiente. O presente trabalho aposta em outra concepção de educação e em outro fazer psicológico. Trata-se da educação enquanto uma construção coletiva, na qual os sujeitos estão implicados na produção do conhecimento; e uma prática do psicólogo que visa problematizar ao invés de responder as demandas emergentes.
"(...)o professor, tido como máquina de ensinar, se desespera quando não
consegue fazer aprender esse suposto objeto que ele quer manipular para
obter com precisão o resultado almejado. ” (PATTO, 2005, p.159)
A fundamentação teórica base é a Análise Institucional Francesa, tendo como alicerce os conceitos de instituição, entrecruzamento de determinações coletivas de várias espécies, e produção de subjetividade, efeito emergente de uma rede processual de vetores heterogêneos. A Análise do Vocacional utiliza o grupo como seu dispositivo de intervenção, entendendo este a partir da concepção de instituição proveniente da Análise Insitiucional Francesa. Dessa forma, o grupo favorece o encontro entre diferentes forças instituintes, permitindo a emergência de novos possíveis e a possibilidade do estranhamento de referenciais naturalizados, construindo um processo constante de (re)invenção de si e do mundo. O dispositivo grupo potencializa a desindividualização das demandas, tornando-as coletivas, ao criar um espaço aberto para encontro de formas distintas de ser, estar e se relacionar no mundo, operando uma desconstrução de referenciais cristalizados.
Sendo assim, a Análise do Vocacional é uma intervenção que prioriza a vivência do inesperado, o estranho que desmanche territórios pré-estabelecidos, abrindo possibilidades de outros sentidos sobre a escolha, escapando de formas prontas e compartilhando dúvidas, afetos e intensidades, experimentando a criação de outras histórias.
A partir dos pressupostos da Análise do Vocacional, a prática psicológica é também alvo de análise. O papel do psicólogo, uma vez descolado do lugar de orientador, convoca os sujeitos a se responsabilizarem por suas escolhas, ou seja, se implicarem na construção de seus próprios caminhos. Dessa forma, apostamos em uma prática do psicólogo como facilitador, potencializando as falas do sujeitos, ao invés de “dizer” por ele.
"O ato de aprender, de conhecer, é necessariamente a construção de algo, é ação e não representação ...” (ROCHA, 2007, p. 12 )
Dessa forma, entendemos a Análise do Vocacional como uma prática que contribui para a afirmação de outra concepção de educação e de outra concepção de psicólogo escolar, buscando potencializar processos de singularização frente às escolhas. Ou seja, convoca os sujeitos a participarem ativamente na construção do espaço escolar e do conhecimento, apostando na construção coletiva da sociedade a partir da responsabilização dos atores que a compõe. Nesse sentido, o papel do psicólogo no espaço educacional afirma esses pressupostos, atuando como mais um atravessamento que coloca em questão as práticas naturalizadas, trabalhando na emergência de novos olhares e fazeres possíveis.
BARROS, R. B. Grupos: Afirmação de um Simulacro. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2007.
FROTTÉ, M. D. Analítica do Vocacional: percursos e derivas de uma intervenção. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Psicologia). Niterói: UFF, 2001.
GUATTARI, F.; ROLNIK, S. Micropolítica: Cartografias do Desejo. Petrópolis: Vozes, 2000.
MACHADO, A. M. (Org.); ROCHA, M. L. (Org.) ; FERNANDES, Â. M. D. (Org.). Novos possíveis no encontro da psicologia com a educação. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.
PATTO, M. H. S. Exercícios de indignação: escritos de Educação e Psicologia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005.
Marina Dantas, Nira Kaufman e Flávia Lisboa
Disparadores...
Buscando leituras sobre a temática de produção de escolhas pelo viés que propõe o projeto fui me deparando com algumas falas que chamaram minha atenção, como interessantes disparadores para essa nossa reflexão e estudo.
Gostaria de, então, compartilhá-las com a turma. :)
"Você faz suas escolhas, e suas escolhas fazem você." (Steve Beckman)
"Tornando-se um consciente criador de escolhas, você começa a gerar ações que são evolucionárias para você." (Deepak Chopra)
"A filosofia de uma pessoa não é melhor expressa em palavras; ela é expressa pelas escolhas que a pessoa faz. A longo prazo, moldamos nossas vidas e moldamos a nós mesmos. O processo nunca termina até que morramos. E, as escolhas que fizemos são, no final das contas, nossa própria responsabilidade." (Eleanor Roosevelt)
"Você faz o que parece ser uma simples escolha: escolhe um homem, um emprego, ou um bairro -- e o que você escolheu não é um homem, um emprego, ou um bairro, mas uma vida." (Jessamyn West)
Beijinhos e boas reflexões!
Naru (Ana Carolina Gomes Perez)
terça-feira, 6 de julho de 2010
"O que ser e o que não ser, eis a questão"
Diante desse panorama, há uma grande procura do serviço de Orientação Vocacional com muita ansiedade pelo direcionamento de caminhos. A busca é por uma solução e de um “veredito” que estão seguindo na direção certa. O que considerar na hora de escolher? Dinheiro? O prazer? A carreira dos pais? O mercado de trabalho? A aptidão?
Em virtude dessa demanda, de jovens que visam respostas prontas, é necessário produzir um campo de problematizações. É nesse sentido que problematizar a prática da Orientação Vocacional e criar outras formas de experimentar a escolha profissional, escapar ao que já está construído, ao que está dado, promovendo diferenças, torna-se um trabalho de fundamental importância.
Em outras palavras, seria colocar em questão o próprio processo de escolha, tentando produzir outros sentidos para a escolha profissional. Isso não significa a construção de um novo modelo de Orientação Vocacional, mas suscitar acontecimentos que promovam uma ruptura com o que já está colocado e propiciar a revelação de outras possibilidades de vivenciar a escolha profissional.
Porque não promover um convite ao estranhamento, ao olhar curioso, construindo outros mapas de vida? Porque não fugir dos aprisionamentos, potencializando os jovens a criarem novas possibilidades de escolha?
FROTTÉ, M. D. Analítica do vocacional: percursos e derivas de uma intervenção. 2001. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, Niterói.
Letícia Barros Cândido
Escolha e ponto.
Escolha a profissão certa. Tempo é dinheiro. Por isso, se fizer a escolha errada, você perderá os dois. Tempo e dinheiro. Ou seja, será o seu fim.
Esse é o típico discurso que nos leva à procura de serviços de orientação profissional, que são nada mais do que uma proposta, dita científica, que reforça certo mal-estar. A ânsia por respostas prontas, eficientes e satisfatórias para tudo, tão própria desse esquizofrênico mercado de trabalho e, de certa forma, presente em todas as esferas da vida, nos impede de parar e pensar em outros caminhos, em alternativas, em modos de vida não capturados ou minimamente resistentes ao mal-estar gerado por essa ansiedade. O discurso da orientação profissional surge, então, como aquele que justifica e reafirma esse mal-estar. Acolhe o sofrimento daquele que não se decide como um problema, uma anomalia, pois todos têm que se decidir. Numa linguagem foucaultiana, esse é um discurso que visa apenas justificar práticas anteriores ao próprio discurso; um discurso que visa docilizar corpos a um modo de existência. Mas por que todos devem se submeter a esse modo de existência? A análise sócio-histórica dessa questão é o suficiente, a meu ver, para “destruir” essa ciência.
Contudo, o mal-estar está aumentando e a orientação profissional está morrendo diante das inúmeras ofertas, na internet, de respostas prontas e ainda mais rápidas para a escolha profissional. Afinal, a rapidez nessa escolha deve se alinhar à rapidez do resto do mundo. Um ótimo exemplo é o teste vocacional disponibilizado no site do consultor Carlos Martins, onde ele diz que, pelo teste, é possível você conhecer mais de você, como se esse “você” fosse uma coisa pronta, imutável, que caiu do céu e que obrigatoriamente vai – mais uma vez o tem que – se adequar a alguma profissão. Vejamos o anúncio, no qual tomei a liberdade de acrescentar alguns comentários politicamente incorretos:
Conheça mais sobre você e descubra qual a profissão que combina com seu jeito de ser (despertou minha curiosidade, um teste que sabe mais de mim do que eu mesmo sei):
Este é o teste vocacional mais utilizado hoje no mundo inteiro (ok, não precisa colocar “inteiro”, só o “mundo” já me convenceu)! Criado pelo Consultor Carlos Martins a partir de um método inventado nos Estados Unidos (falou nos EUA, pronto, a gente sabe que tudo que vem de lá é confiável e da melhor qualidade, vide Mc’Donalds), pelo psicólogo e educador John Holland, que já foi adotado por outros países (“psicólogo” é a palavra mágica, junto com um nome americano, então...). É simples (parece anúncio televisivo da Polishop): descubra quais são suas preferências, junte a isso sua personalidade (traços hereditários + experiências pessoais = personalidade) (“traços hereditários” e uma pseudo-fórmula matemática são elementos que também convencem bastante) e você descobrirá qual a profissão que lhe convém.
E, logo abaixo, o link que decidirá sua vida. Ou não. Boa sorte.
Fonte: http://www.carlosmartins.com.br/testevocacional.htm
Rafael Reis.
Refletindo sobre escolhas
Facilitamos grupos com o objetivo de que os participantes produzam reflexões acerca deste novo momento. Estar aposentado na nossa Sociedade, que valoriza o sujeito uqe é produtivo, não produzir mais economicamente, pode gerar angústia e sentimentos de desvalorização.
Foi muito interessante para mim, facilitar os grupos a partir deste olhar das escolhas permeadas pelo Biopoder. Nos grupos é muito comum surgir impasses em relação a novas possibilidades, o que de fato é inviável e aquilo que o sujeito crê ser inviável por causa daquilo que a Sociedade produz nele como impossibilidade. No caso da faixa etária do grupo, a idéia de que já é tarde de mais para fazer certas coisas é muito comum de aparecer nas falas dos participantes. Para mim, enquanto facilitadora, foi muito interessante poder trazer esta perspectiva para os grupos e fazê-los refletir um pouco sobre a escolha da escolha.
Marta Montenegro

